Nos rastros do leão. Pesquisa sobre a História da Generali Brasil

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A caça e a busca pela história se assemelham. Ambas percorrem caminhos inusitados atrás dos rastros de suas presas. Quanto mais antiga for a passagem delas e quanto menos percorrida for a paragem em que elas estiveram, seja por parte de outros caçadores ou de cuidadores da memória empresarial, mais complexa fica a expedição. Se a caçada for por presa recente, as pegadas, o cheiro, as pistas e os testemunhos de sua presença são mais marcantes e garantidos. empresa de digitalização de documentos Quanto mais o tempo se interpõe entre a procura e os eventos, mais imprecisos são esses rastros, pois as intempéries já deram conta de atenuá-los ou até apagá-los. A “presa” em questão é nobilíssima, nada menos que um leão em terras tropicais, o passado da Generali Brasil.

Hoje já adaptado ao clima, o leão veneziano-triestino-brasileiro completou 100 anos em 2025 e deixou muitas marcas pelo chão que percorreu. No entanto, mesmo havendo notícias de suas andanças, pouco se sabia sobre elas. Foi preciso revisitar e ressignificar essas marcas de sua trajetória para a descoberta da história que havia por trás. Havia alguns mitos repetidos pela empresa ao longo dos anos que estavam arraigados e que precisavam ser investigados. empresa de digitalização de documentos Por exemplo, a Generali Brasil considerava ser a primeira seguradora italiana no Brasil e no entanto a primeira era a Ítalo-Brasileira de Seguros Gerais (se tornaria o banco Itaú), que chegou em terras brasileiras em 1921.

A “caçada” na prática foi aplicar a metodologia que é a práxis comum da historiografia, de pesquisa por arquivos dentro da própria empresa, aqueles produzidos diretamente por ela, ou seja, as fontes primárias. O leão transitava numa selva de atas de diretoria, assembleias e conselhos administrativos, apólices e estatutos. Em paralelo, uma floresta tão densa quanto a dos arquivos institucionais, a de jornais e revistas de época, as fontes secundárias, ou seja, documentos não produzidos pela instituição, mas que trazem informações com certa margem de plausibilidade. empresa de digitalização de documentos Por fim, tivemos fontes orais com entrevistas com funcionários e ex-funcionários da Generali, em sua maioria ocupantes de cargos diretivos e responsáveis por projetos e ações importantes da empresa.

empresa de digitalização de documentos Mas para se chegar até as selvas de arquivos inexplorados, o que se tinha eram caminhos tortuosos e pouco frequentados, às vezes picadas ocultas sob o risco iminente de se perder: arquivos físicos descentralizados em guarda externa, extensas planilhas excel com anotações nada amigáveis, arquivos digitalizados sem acesso por sistema  Havia também a questão dos arquivos que “perdidos”, ou por dispersão ou por alienação, resultado de mudanças das sedes. As pegadas do leão estavam bem escondidas e ariscas à pesquisa…

Ariscas ou não, as pegadas foram sendo encontradas e a partir delas se constituiu um documento histórico analítico e o leão finalmente se revela. Talvez a juba não seja gloriosa como se esperava, talvez o rugido tenha algumas nuances inesperadas, o olhar e a altivez sejam menos ou mais ameaçadores dependendo da perspectiva. O que importa é que o seu resgate garante a sua sobrevivência. E sem querer saturar e já saturando a analogia, recuperado na “cadeia alimentar” da História,  o “leão” do passado recém descoberto vem fazer coro com os demais da fauna da história empresarial brasileira.

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Cristina Romano, Coordenadora de Projetos de Memória

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